
O último texto que publiquei foi sobre o “Elogio da Loucura” de Erasmo, discurso satírico onde estabeleci uma comparação entre a personagem Loucura com o Presidente Donald Trump. Lembrei-me, entretanto, de fazer um texto idêntico, mas de comparação com Calígula imperador romano entre os anos de 37 a 41 DC. Há também quem o compare a Nero. Vamos ficar por Calígula e mergulhemos numa comparação entusiasmada entre Donald Trump e uma das figuras mais notórias da história: e o Imperador Calígula!
Escrever várias vezes sobre Trump parece uma obsessão, mas não. A influência do media, não apenas aqui, no nosso país, mas sobretudo na imprensa nos EUA pode contribuir para tal.
Esta minha comparação foi feita com algum cuidado porque aparentemente humorística é, ao mesmo tempo, séria. Os contextos e épocas são totalmente diferentes. Roma imperial versus democracia moderna. Considerei mais interessante fazer uma comparação temática tendo em conta estilo de liderança, relação com instituições, propaganda, reação da elite, embora sem qualquer ideia de o demonstrar que são a mesma coisa.
Quando decidi fazer esta analogia pensei: aqui está uma coisa original! Enganei-me. Na fase da pesquiza deparei-me com historiadores e comentadores que também já o fizeram. O historiador Tom Holland deu em 2016 uma entrevista sobre o tema ao jornal britânico The Guardian. Mais recente, a 5 maio de 2026 a revista The Economist publicou um artigo intitulado “A América deve desejar para que Donald Trump não seja um novo Calígula”, artigo finaliza assim: “…imperadores tirânicos como Calígula, que renomeou templos em sua homenagem, mandou erguer estátuas douradas suas e deleitavam-se em humilhar as antigas elites de Roma, incluindo os senadores covardes que lhe entregavam supremos poderes”.
Trump e Calígula podem ser comparados no plano do estilo político com uma liderança centrada na sua pessoa. Esta comparação é limitada porque Calígula governou um sistema autocrático com mecanismos de coerção típicos de Roma da sua época. Trump atua dentro de instituições democráticas que, apesar de ter mecanismos que restringem o poder executivo, tenta paulatinamente destruir esses mecanismos.

Para demonstrar o seu desprezo pelas classes dominantes, Calígula, ameaçou fazer do seu cavalo cônsul (o poderá ter sido uma lenda).
Donald Trump ainda não nomeou um cavalo para o seu gabinete, mas, no entanto, nomeou bajuladores não qualificados para cargos de alta responsabilidade, onde disputam a sua lealdade enquanto obtêm benefícios derivados ao cargo. Permitir que a decadência continue será um erro muito mais difícil de corrigir.
Muitos romanos comuns adoravam Calígula como um showman da época que construía monumentos de mármore, organizava desfiles militares e divertia-se em assistir a competições de gladiadores, quanto mais sangrentos, melhor. Trump não lhe fica atrás. Donald Trump, foi estrela do seu próprio reality show. Em setembro de 2016 o Whashigton Post escreveu que “o imobiliário tornou-o rico, a televisão tornou-o famoso”. Trump, fã de estátuas douradas, monumentos de mármore, de sumptuosos salões de baile e participações em lutas parece estar no mesmo caminho de Calígula versão século XXI.
Acham estranho que Donald Trump tenha sido uma estrela do wrestling? Não é bem o caso. O mundo deste desporto de entretenimento, muito famoso nos EUA, não é nada desconhecido para este presidente dos EUA que chegou a envolver-se diretamente na WrestleMania, o maior evento da modalidade. Em 2007 Trump alinhou na chamada «Batalha dos Milionários», com Vince McMahon, dono da WWE-World Wrestling Entertainment, empresa que organizou o evento. Cada um escolheu um lutador que os representaria no ringue. O perdedor teria de rapar o cabelo. Trump não ficou por aqui e foi mesmo para o combate, ainda que fora das cordas. Como o lutador representante de Trump ganhou o combate. Vince McMahon ateve que deixar rapar o cabelo com ajuda do agora presidente de todos os norte-americano, como pode confirmar aqui a partir do minuto 1:45.
Há comentadores nos EUA que sugerem que Trump opera como um “meio-Calígula”, com comportamentos erráticos que desafiam normas, semelhante ao imperador romano que, segundo relatos, zombava das instituições.
Ao longo das últimas décadas os EUA pareciam escapar ao processo de fim da liberdade e da democracia como se tem visto noutros locais e continentes como na Ásia, na África e na Rússia. Nestes países tem sido prática comum ampliar as bases do poder, distribuir o que existe, transformando-se em virtudes das sociedades e aspirações para os que o rodeiam. O que parecia longínquo como autoritarismos, fascismos ou comunismos pareciam estar a reduzir-se mo Mundo. Já não é assim. O poder não existe para servir os povos, serve para existir.
O que acontece quando se compara um político moderno exibicionista a um dos mais notórios tiranos da história? A resposta uma resposta está num vídeo onde se apresentam semelhanças impressionantes entre Donald Trump e Calígula, desde demonstrações de ego desmedidas a ganância chocante e atos escandalosos. A loucura de Calígula pode ser lendária, mas Trump, nestes nossos dias, é também um ator que representa uma comédia hilariante se não fosse perigosa.